Essa carta mensal marca o encerramento do primeiro semestre de 2025. Vamos passar por todas as classes de ativos recomendadas pela Origami Investimentos, discutindo a respeito de seus fundamentos bem como apontando seu nível de preço e sua atratividade. Esperamos dar clareza aos investidores dos motivos pelos quais estamos recomendando maior ou menor exposição em cada classe de acordo com o perfil de risco do investidor e seus objetivos financeiros individuais.
Renda Fixa – Brasil
Pós fixado: permanece sendo uma classe muito interessante para os investidores de perfil conservador e para objetivos de curto prazo (até 2 anos). A Selic atual está em 15% e deve permanecer nesse patamar por mais alguns meses, com sua queda gradual começando entre o final de 2025 e início de 2026. A inflação medida pelo IPCA para 2025 deve ficar por volta de 5%, o que significa que a alocação em pós fixado possui grande atratividade no curto prazo devido ao seu carrego bem interessante, com juros reais de aproximadamente 10%.
Pré fixado: estamos recomendando exposição a essa classe para investidores de perfil moderado e arrojado, bem como para objetivos com prazos de 2 e 3 anos. Isso porque as taxas de juros prefixadas nesse horizonte temporal permanecem atrativas, entre 13% e 14%, e existe um cenário em que a Selic pode cair em maior magnitude ou velocidade do que está projetado na curva de juros futura. Em qualquer um desses 2 cenários o investidor que tiver títulos prefixados na sua carteira vai se beneficiar.
Fonte: Anbima
Inflação: esses títulos são a classe de renda fixa com maior janela de oportunidade no momento. As taxas do tesouro direto permanecem acima de 7% para praticamente todos os prazos, isso significa que o poder de compra real dobra em 10 anos e multiplica por 4x em 20 anos. Além disso, é possível investir em títulos com taxas ainda maiores e em veículos que gerem isenção ou otimização tributária, como por exemplo fundos de infraestrutura e previdência. Investidores que podem aplicar para prazos maiores de 5 anos devem se expor a esses títulos para capturar o alto carrego dessa classe bem como uma eventual marcação a mercado favorável nos próximos anos, o que pode gerar uma janela de oportunidade para encerrar a posição antes do seu vencimento com lucro.
Fonte: Anbima
Fundos imobiliários – Brasil
A janela de 10 anos do Ifix mostra um comportamento interessante: possui correlação negativa com a Selic. Em momento de subida de juros o Ifix tem retornos ruins, porém em momentos de queda de juros o Ifix tem uma boa performance.
Alocar em fundos imobiliários no momento atual é uma boa oportunidade, dado que o carrego dos fundos está excelente (aprox 9% ao ano para tijolo e IPCA+8% ao ano para papel) e essa classe tende a se beneficiar fortemente de uma queda na taxa Selic.
Acreditamos que os investidores estão sendo bem remunerados para permanecerem alocados em fundos imobiliários, com recebimento de proventos mensais isentos de IR e expostos a um cenário interessante de possível queda de juros nos próximos meses e anos.
Fonte: Investidor10
A janela de 2 anos comparando CDI e Ifix mostra claramente como a classe de fundos imobiliários teve um comportamento errático e ruim no passado recente. Acreditamos que hoje temos uma boa janela de oportunidade para se expor nessa classe, principalmente porque nos últimos 2 anos tivemos um cenário de Selic subindo e esse ciclo está chegando ao fim.
Fonte: Investidor10
Ações – Brasil
Podemos dividir a análise do mercado de ações sob duas óticas: ações pagadoras de dividendos e ações de crescimento.
Podemos considerar o Ibovespa como uma boa aproximação para o primeiro grupo, dado que as 10 maiores posições do índice são empresas com histórico de dividendos e que, somadas, correspondem a 47% do índice, conforme podemos ver abaixo no gráfico de composição do Ibovespa.
Fonte: Blackrock
Analisando o múltiplo Preço/Lucro do Ibovespa, fica claro que o índice ainda apresenta uma boa janela de compra, mesmo após estar subindo 13% em 2025. Estamos com um múltiplo de P/L de 8,9x, isso representa um desconto de 23% em relação a média de 11,6x dos últimos 10 anos. ou seja, o índice teria que subir 30% para voltar a média de múltiplo da última década.
Fonte: Oceans14
As empresas de crescimento, por outro lado, serão representadas pelo SMAL11, o índice de small caps da bolsa. A análise do período de 12 anos mostra como as ações de dividendos (BOVA11) superou as ações de crescimento (SMAL11) por uma grande margem nesse período. O primeiro grupo entregou 170% de retorno, enquanto o segundo entregou apenas 70%.
Fonte: Origami Investimentos
Na carta mensal de Jan/25 fomos enfáticos: a alocação em empresas de crescimento representava uma ótima oportunidade, com a possibilidade do fechamento da boca de jacaré do diferencial do retorno entre as large e as small caps. Essa análise se mostrou correta, dado que no ano de 2025 as empresas de crescimento estão superando as empresas de dividendos. O primeiro grupo entrega 27% no acumulado do ano, contra 14% das empresas de dividendos.
Fonte: Origami Investimentos
Investir em ações brasileiras continua sendo uma boa oportunidade para clientes de perfil moderado e arrojado e para carteiras com prazo acima de 5 anos. As empresas de dividendos devem compor um pedaço mais conservador, enquanto as empresas de crescimento devem compor um pedaço arrojado do portfólio.
Por fim, destacamos 4 fatores estruturais que podem servir de gatilho para uma grande valorização dessa classe de investimento nos próximos meses e anos:
- fim do ciclo de alta da Selic;
- eleição em 2026, com a possibilidade da mudança de viés político do governo;
- baixa exposição a bolsa por parte dos investidores institucionais brasileiros (há dinheiro em estoque que pode fluir para a bolsa);
- maior interesse dos investidores globais em diversificar sua alocação, que ficou bastante concentrada em S&P500 nos últimos anos.
Internacional
Atualmente o índice P/L do SP500 está em 28x. Esse é um patamar bastante elevado, aproximadamente 50% acima da média dos últimos 20 anos. Tivemos patamares mais elevados apenas na crise de 2008 e logo após a pandemia. Esse patamar representa um retorno implícito de aproximadamente 4% ao ano caso as empresas não tenham crescimento de lucros. Entendemos que é um patamar pouco convidativo ao investidor, que deve aguardar melhores oportunidades para aumentar a posição de forma gradual. É sempre importante estar comprado em bolsa americana, mas podemos aumentar bastante o retorno dessa posição aproveitando boas janelas de compra – o que não parece ser o momento atual. Dessa forma, recomendamos cautela nas posições em renda variável norte americana.
Fonte: macrotrends.net
A classe de renda fixa internacional, por outro lado, apresenta uma boa janela de oportunidade para carregar posição dolarizada. Títulos conservadores de prazos curtos estão rendendo acima de 4%, enquanto o rendimento dos prazos mais longos aproxima-se de 5%. Com a inflação americana medida pelo CPI ao redor de 2%, temos um juros real razoável e estamos sendo remunerados para sermos conservadores. Entendemos que o cenário geopolítico e econômico internacional está complexo, e estamos recomendando aos clientes para que aproveitem a janela de queda do dólar (que caiu de R$6,30 para R$5,60) para dolarizar um pedaço de seu patrimônio e investir principalmente em renda fixa dolarizada conservadora com liquidez.
Fonte: wsj.com
Dólar
O dóolar encontra-se aproximadamente 19% mais valorizado do que deveria estar frente ao real de acordo com o diferencial de inflação do Brasil x EUA desde 1999. A cotação justa seria ao redor de R$4,80, e atualmente estamos em R$5,70. Essa diferença deve-se aos riscos internos do Brasil, e é um preço que os investidores brasileiros precisam pagar para dolarizar seu patrimônio e reduzir seu risco de moeda e domicílio. Entendemos que ter posição dolarizada deve fazer parte da carteira de todos os investidores, e vemos o cenário atual como uma boa oportunidade para comprar dólares e reduzir seu risco Brasil.
Fonte: Origami Investimentos
Fonte: Origami Investimentos
Alternativos
O Bitcoin apresentou um ótimo desempenho em 2025. Mesmo com a queda de 15% do S&P500 em Março, o criptoativo manteve-se em patamar elevado e não se comportou-se como um ativo de risco e beta elevado, que possui quedas mais acentuadas em relação às ações americanas.
Podemos estar diante de uma mudança de paradigma. No passado o bitcoin era visto como um ativo de risco, que possuía altas e quedas mais acentuadas do que o mercado em geral. Em 2025 ocorreu o contrário: enquanto o S&P500 caiu 15% em poucas semanas o Bitcoin manteve-se estável, comportando-se mais como deveria ser: um ativo de segurança e reserva de valor, o ouro digital.
A métrica MVRV, que mede o valor de mercado do Bitcoin frente ao valor de compra do estoque do criptoativo, está em 2.1x. Não é um patamar caro nem barato. Portanto, estamos mantendo inalterada nossa posição em criptomoedas, e recomendando que todos os clientes tenham ao menos um pedaço de seu portfólio de longo prazo exposto a essa tese de investimentos.
Conclusão
Para clientes conservadores e carteiras de curto prazo a alocação em renda fixa pós fixada continua sendo uma excelente oportunidade. O carrego de juros real deve permanecer atrativo pelos próximos meses enquanto a Selic permanecer alta.
Títulos de renda fixa atrelados à inflação são uma ótima oportunidade para todas as classes de investidores e para portfólios com prazos maiores de 5 anos.
Fundos imobiliários e ações brasileiras também devem compor os portfólios dos clientes arrojados e de longo prazo. Ambas as classes estão com carregos interessantes, com o investidor sendo bem remunerado para estar exposto a uma grande assimetria que a mudança de ciclo de juros e a possível alternância política de 2026 podem destravar nessas classes de investimento.
O dólar continua sobrevalorizado frente ao real. No entanto, após bater R$6,30, a queda recente de 12% pode ser uma boa janela de compra de dólar para os clientes que ainda não possuem exposição em moeda forte ou estão com sua posição dolarizada abaixo do que seria o ideal. A recomendação é permanecer comprado em renda fixa dolarizada de curto prazo e alta qualidade.




