Carta Mensal – Março 2026

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Resumo

A eleição no Brasil já está no radar, e o mercado está em compasso de espera em relação a definição dos candidatos e qual será a pauta do atual governo visando a reeleição. O Banco Central do Brasil deve iniciar o ciclo de corte da taxa de juros, porém ainda é bastante incerta a velocidade e magnitude desse movimento. O desarranjo fiscal continua pautando a pauta doméstica e pressionando os juros de longo prazo, tornando bastante atrativa a classe de renda fixa com duration acima de 5 anos, principalmente para os títulos de inflação (IPCA+).

No mercado internacional os olhos estão voltados para o desenvolvimento e os grandes volumes de investimentos em IA. Além disso, a pauta da guerra EUA+Israel contra Irã tomou os holofotes e pressionou o preço do petróleo, o que pode ser um gatilho gerador de incerteza e inflação global. A diversificação entre classes e geografias é, cada vez mais, fundamental para garantir um bom retorno dos investimentos.

Cenário econômico brasileiro

A economia brasileira deve seguir em trajetória de crescimento moderado, sustentada principalmente pelo consumo das famílias, ainda favorecido por um mercado de trabalho resiliente e pela expansão do crédito. A inflação permanece próxima da meta, com comportamento mais benigno nos bens, embora os serviços ainda apresentem alguma pressão.

A política monetária continua em terreno restritivo, mas já há espaço para uma redução gradual dos juros ao longo do tempo. O câmbio tende a permanecer relativamente valorizado no curto prazo, apoiado pelo diferencial de juros e pela entrada de capital externo.

No setor externo, o país mantém uma posição relativamente sólida, mesmo com déficits moderados em conta corrente. Por outro lado, o principal ponto de atenção segue sendo o cenário fiscal, com dúvidas sobre a trajetória da dívida pública e menor previsibilidade no médio prazo.

Medidas fiscais recentes ajudam a sustentar a atividade no curto prazo, mas aumentam as incertezas mais à frente. O ambiente político também contribui para maior volatilidade. Além disso, riscos externos — especialmente ligados a commodities — podem pressionar a inflação. No horizonte mais longo, a tendência é de desaceleração do crescimento.

Cenário econômico internacional

O cenário global continua relativamente resiliente, com crescimento moderado mesmo diante de incertezas geopolíticas e mudanças no comércio internacional. Os Estados Unidos seguem como principal motor da economia mundial, com atividade ainda forte e inflação desacelerando gradualmente.

A China, por sua vez, enfrenta um ritmo de crescimento mais fraco, refletindo desafios estruturais, especialmente no setor imobiliário. Já a Europa apresenta uma expansão mais limitada, influenciada por condições financeiras ainda restritivas.

O comércio global passa por uma fase de reconfiguração, com cadeias produtivas mais fragmentadas e redirecionamento de fluxos. Ao mesmo tempo, as tensões geopolíticas permanecem elevadas, impactando especialmente os preços de energia e commodities, como o petróleo, o que adiciona incerteza ao cenário inflacionário.

Diante disso, os bancos centrais adotam uma postura cautelosa, promovendo cortes de juros de forma gradual e dependente dos dados. Em paralelo, mercados emergentes seguem atraindo fluxos de capital em busca de melhores retornos. Ainda assim, o ambiente global continua cercado por riscos relevantes, principalmente ligados à inflação, política monetária e geopolítica.

Tabela – Retorno das classes de ativos

Viés Origami

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