Resumo
O primeiro trimestre foi marcado pela guerra dos EUA x Irã, que culminou com o fechamento do estreito de Ormuz e a consequente redução da oferta de petróleo ao redor do mundo. Essa dinâmica pressionou o preço dos combustíveis, e esse efeito tende a se propagar para a inflação geral das economias globalizadas. Como consequência, os ciclos de corte de juros estão sob risco.
No cenário doméstico, os nossos problemas continuam sendo os mesmos – que decorrem, principalmente, da baixa credibilidade fiscal do Governo Federal. A alta do preço do petróleo e a pressão na curva de juros decorrente do déficit fiscal do governo brasileiro impedem o Banco Central de atuar com veemência para a queda da Selic. Juros mais longos por mais tempo pressionam o balanço de empresas e famílias endividadas, e certamente, tornam a reeleição de Lula mais desafiadora.
A renda fixa dolarizada permanece interessante, com um rendimento de dólar+3,5% ao ano para uma carteira conservadora e com liquidez. Dentro do Brasil, os títulos atrelados ao IPCA possuem ótimas taxas de carrego. Além disso, para investidores arrojados, o Bitcoin está em um ponto interessante de compra, com uma retração de 40% do seu topo histórico.
Cenário econômico brasileiro
O Brasil apresenta recuperação da atividade econômica com mercado de trabalho forte e consumo sustentado.
No entanto, a alta do petróleo pressiona preços de combustíveis e fretes, levando a revisões na inflação (IPCA), projetada entre 4,5% e 4,6% para 2026.
O Banco Central iniciou um ciclo de corte de juros, reduzindo a Selic para 14,75%. Contudo, a autoridade monetária indica cautela e um ritmo mais lento de quedas devido aos riscos fiscais e inflacionários.
A expectativa é que a Selic encerre o ano de 2026 em um patamar elevado, entre 12,5% e 13%. O setor de óleo e gás beneficiou o Ibovespa, que mostrou resiliência frente à volatilidade externa.
Cenário econômico internacional
O cenário global é marcado por incertezas geopolíticas e pelo choque nos preços de energia decorrente de conflitos envolvendo EUA, Israel e Irã.
Essa alta do petróleo pressiona a inflação mundial e forçou bancos centrais a interromperem os cortes de juros.
Nos EUA, o Fed mantém as taxas entre 3,50% e 3,75%, com perspectiva de estabilidade prolongada para assegurar a convergência inflacionária.
A Europa mostra-se mais sensível à crise energética, o que enfraqueceu seu crescimento.
Na China, os sinais são mistos: as exportações apoiam a economia, mas o consumo interno reage lentamente, com projeção de crescimento do PIB revisada para 4,7% em 2026.
Tabela – Retorno das classes de ativos

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