Nessa carta faremos um apanhado geral de como se comportaram os diferentes ativos em Julho bem como seu retorno acumulado em 2025. Para efeitos didáticos, podemos considerar:
IMAB11 – Índice de ativos de renda fixa atrelados à inflação
IDKA11 – Índice de renda fixa prefixada de 3 anos
IFIX – Índice de fundos imobiliários
A tabela abaixo mostra o rendimento dos ativos em Julho e acumulado de 2025.
Fonte: Origami Investimentos
Podemos observar claramente que Julho foi um mês complicado para os ativos. Tivemos quedas significativas nos títulos de inflação, Ibovespa e fundos imobiliários. Por outro lado, o dólar valorizou +2,68% frente ao real, completando o quadro de ambiente desfavorável aos ativos brasileiros.
Colocando em termos claros: quem tomou risco perdeu dinheiro. Julho foi um mês que beneficiou carteiras conservadoras, com posição em CDI e dólar.
O ambiente doméstico está com muita incerteza, derivado principalmente de questões relacionadas ao descontrole fiscal do governo, bem como a antecipação da volatilidade das eleições presidenciais de 2026.
O ambiente internacional permanece instável, agravado ainda mais para o Brasil por conta dos depoimentos e tarifas impostos por Trump.
Por outro lado, quando observamos o comportamento dos diferentes ativos no acumulado de 2025, o cenário muda. Podemos observar que até o final de Julho o ano tem beneficiado carteiras mais arrojadas, com os ativos de risco se valorizando mais do que o CDI e o dólar perdendo força frente ao real.
Rendimento dos ativos em 2025 (Jan-Jul). Fonte: Origami Investimentos
É preciso destacar a queda de 9% do dólar, bem como as expressivas valorizações de 12%, 11% e 9% do IDKA, Ibovespa e IFIX, respectivamente. O CDI, por outro lado, já rende 7,7% no ano e permanece com um carrego muito interessante, com juros nominais de 15% e inflação lentamente convergindo para dentro da faixa de meta de inflação do BC (1,5% a 4,5%).
Bons negócios são feitos em momentos de incerteza, e a incerteza se traduz em volatilidade no mercado financeiro. O prêmio de risco dos ativos brasileiros permanece bastante elevado frente à média histórica, e permanecemos confiantes de que os investidores que forem resilientes vão colher os frutos no futuro.
Na janela de 15 anos o CDI rendeu, aproximadamente, IPCA+3%. No momento atual podemos comprar títulos de inflação de IPCA+7% a 9%, dependendo do perfil de risco do título. É uma gordura muito relevante e que deve ser aproveitada pelos investidores, principalmente os mais arrojados e que podem investir para o longo prazo (5+ anos). Esses títulos de inflação variam no curto prazo, é a volatilidade. Porém, no vencimento, teremos a taxa contratada, que tende a ficar muito acima do CDI do período e com uma grande vantagem: protege o investidor caso haja picos de inflação no Brasil.
O múltiplo Preço/Lucro da bolsa permanece em patamares bastante baixos se comparado com sua média histórica. As grandes empresas estão com endividamento controlado e gerando bastante caixa, distribuindo dividendos recordes.
O dólar está aproximadamente 15% sobrevalorizado em relação ao seu preço teórico justo de acordo com a teoria da paridade do poder de compra. Temos aproveitado a queda de 9% no ano para aumentar a posição em dólar dos clientes, principalmente aqueles que ainda estão subalocados. Exposição a moeda forte deve ser um dos pilares de uma boa carteira de investimentos, e a proteção contra um ambiente de instabilidade institucional brasileira é através do dólar.
Conclusão
A carteira dos investidores apresentou volatilidade em Julho. O desempenho não foi bom. Para aqueles investidores arrojados e com carteiras de longo prazo faz sentido aumentar a exposição nos ativos de risco, aproveitando o preço descontado. Isso deve ser feito preferencialmente com aportes novos, dessa forma não teremos custo de imposto e operacional ao vender os ativos já presentes na carteira.
Volatilidade é o preço que o investidor paga para obter um retorno acima da média. No curto prazo pode incomodar, mas no longo prazo compensa. Os fundamentos dos ativos permanecem sólidos, e teremos mais ruídos políticos e econômicos internos e internacionais nos próximos meses.
A Origami Investimentos está aqui para apoiar seus clientes e ajudar na tomada de decisão, garantindo que teremos a melhor relação risco X retorno possível para cada perfil de investidor e objetivo financeiro.




