Resumo
A economia brasileira permanece resiliente, com crescimento puxado pelo impulso fiscal. De um lado temos PIB apresentando bons números, mas de outro lado vemos a inflação forte e o déficit fiscal preocupante. O cenário geopolítico externo não colabora, com a guerra do Oriente Médio contribuindo para o aumento do preço dos combustíveis – movimento que se espalha na economia brasileira. Os títulos de renda fixa atrelados à inflação são uma ótima oportunidade de investimento.
Sob ótica internacional, na Europa e na China o crescimento perde fôlego. Os EUA seguem fortemente impactados pelo massivo volume de investimentos em tecnologia, em que os investimentos de IA puxam a bolsa para cima e espalham o otimismo nos mercados. A inflação é preocupante, o que pode levar os BCs internacionais a não reduzirem juros conforme estava precificado nos últimos meses. Para investimentos internacionais, a Origami prefere diversificar entre diferentes geografias, aproveitar o bom carrego da renda fixa – as treasuries de 30 anos aproximam-se de 5% de rendimento, e gradualmente acumular bitcoins a medida em que o ativo é negociado em patamares atrativos.
Cenário econômico brasileiro
A atividade econômica no Brasil mostra resiliência, com o PIB do primeiro trimestre crescendo 1,1%, impulsionado pelo consumo forte, investimentos e emprego resistente. As projeções de crescimento anual variam entre 1,8% e 2,1%, apresentando um panorama de crescimento sustentado, embora com expectativas de moderação nos próximos trimestres.
Por outro lado, o cenário inflacionário voltou a pressionar, com as projeções do IPCA subindo para a faixa de 5,1% a 5,4% em 2026, refletindo choques de oferta globais em commodities energéticas e alimentícias. Esse aumento nos custos reduziu o espaço para o ciclo de queda de juros, levando as estimativas para a taxa Selic no fim do ano ao patamar de 13,25% a 13,75%.
No âmbito fiscal, os maiores gastos mantêm o déficit primário projetado em -0,5% do PIB. Diante dessas incertezas domésticas e externas, os investimentos em renda variável local enfrentaram volatilidade e forte queda, motivando uma postura mais cautelosa por parte dos comitês econômicos.
Cenário econômico internacional
O ambiente global continua marcado por incertezas, sendo os conflitos geopolíticos no Oriente Médio o principal condutor da volatilidade, com impactos diretos nos preços do petróleo e da energia.
Nos Estados Unidos, a economia segue firme devido ao mercado de trabalho aquecido e aos fortes investimentos no setor de inteligência artificial, embora a inflação (CPI) tenha acelerado para 3,8%, distanciando-se da meta e motivando o Fed a manter os juros estáveis.
A Europa enfrenta um cenário mais desafiador devido à forte dependência da importação de energia, o que desacelerou o emprego e a atividade, mantendo o crescimento baixo em 0,9% e forçando o Banco Central Europeu a adotar uma postura mais dura, com previsão de alta de juros.
Na China, o crescimento do primeiro trimestre atingiu 5% apoiado nas exportações, mas dados recentes mostram perda de fôlego no varejo e na produção, com a demanda interna permanecendo fraca.
De forma geral, a resiliência da atividade global apoia o desempenho positivo das bolsas americanas, mas a pressão inflacionária energética exige cautela e mantém os bancos centrais em posições prudentes.
Tabela – Retorno das classes de ativos

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