Ao longo do mês de Setembro tivemos decisões de taxa de juros nos EUA e Brasil. Esses são acontecimentos muito relevantes para os investidores brasileiros.
No cenário internacional o FED reduziu em 0,25% os juros nos EUA, que agora situam-se no intervalo entre 4% e 4,25% ao ano, com uma taxa de inflação de 2,9% em 12 meses, o que significa um juros real corrente de 1,2% ao ano.

Fonte: FRED St. Louis.
No Brasil, o COPOM optou por manter a Selic inalterada em 15%, com a inflação doméstica acumulada em 12 meses em 5,13%, o que significa um juros real corrente de 9,9% ao ano.

Fonte: Bacen
O carrego de juros real brasileiro permanece extremamente elevado, com o diferencial de juros entre Brasil e EUA ainda maior do que nos últimos meses. Esse fator é uma condição relevante que tende a valorizar o Real frente ao Dólar. Em Dez/24 o dólar chegou a R$6,30, e atualmente encontra-se em R$5,30, uma valorização de 16% em poucos meses.

Fonte: tradingeconomics.com
Para os investidores conservadores e horizontes temporais curtos o CDI permanece sendo uma ótima opção, com seu carrego extremamente elevado e baixa volatilidade.
No entanto, o mesmo cenário que torna o CDI super interessante no curto prazo também significa que os ativos de risco estão com descontos muito relevantes, dado que o custo de oportunidade dos investidores é extremamente alto. Ou seja, é preciso ter uma ótima perspectiva para tomar risco fora do CDI em ativos domésticos.

Fonte: Origami Investimentos
Ao analisar o comportamento dos principais ativos domésticos em 2025 podemos perceber que tanto o Ibovespa quanto o Ifix estão com um ótimo desempenho no ano, mesmo frente a um CDI de 15%. O dólar, por sua vez, já está caindo 14% no acumulado de 2025.
A valorização dos ativos de risco no Brasil é quieta, sem manchetes, sem alarde: os investidores conservadores ainda estão satisfeitos com seu retorno mensal em CDI e nem começaram movimentar-se em busca de maiores retornos, o que deve ocorrer somente quando materializar-se um movimento sustentado de queda dos juros no Brasil. Para isso é preciso que a inflação corrente e projeção futura estejam acomodadas, dentro da meta do BC, além de ações do Governo Federal que indiquem maior responsabilidade fiscal.
Acreditamos que o movimento sustentado de queda de juros é inevitável: mais cedo ou mais tarde os juros precisam cair, porque sustentar 10% ao ano de juros real é impraticável tanto para a iniciativa privada, que tende a se acomodar com o carrego do dinheiro ao invés de investir em seus negócios, quanto para o Governo Federal, que vai ter seu orçamento ainda mais corroído com o serviço da dívida.
Portanto, podemos estar passando por uma janela histórica muito atrativa para aqueles investidores dispostos a tomar algum risco e com um horizonte temporal de investimentos de longo prazo (acima de 5 anos): os ativos de risco podem passar por uma grande valorização na medida em que a taxa Selic cair de forma gradual.
Apesar de o índice Ibovespa estar na sua máxima histórica, em 147 mil pontos, o seu topo corrigido pelo IPCA situa-se ao redor de 175 mil pontos. Ou seja, em termos reais ainda estamos longe do topo.

Ibovespa: janela de 20 anos
O principal objetivo dos investidores é acumular um patrimônio suficiente para a independência financeira. Na Origami Investimentos acreditamos que o atingimento dos objetivos individuais de cada investidor deve ser uma métrica pessoal, e não comparada com índices de mercado como o CDI ou o dólar. A melhor forma de pensarmos em acúmulo patrimonial de longo prazo é pensando sobre a inflação: tudo que importa é o retorno real, ou seja, quanto o nosso patrimônio está crescendo acima da inflação.

Fonte: Tesouro Direto
No cenário atual os títulos públicos oferecem uma grande oportunidade de investimentos. É possível comprar títulos pagando entre 7% e 8% ao ano, corrigidos pela inflação, praticamente sem risco de calote. Os títulos privados, sendo balizados pelos títulos públicos, oferecem taxas ainda mais atrativas, com a grande vantagem da isenção fiscal se forem comprados através dos veículos corretos. A janela histórica de altas taxas de títulos públicos IPCA+ é rara: menos de 5% do tempo os títulos negociam com taxas tão atrativas quanto as atuais.
O Brasil é arriscado. Os excelentes retornos projetados das diferentes classes de investimentos não vêm de graça: há risco. Nossa recomendação é que todos os investidores devem possuir moeda forte e ativos de valor em seus portfólios. Dólar, ouro e bitcoin. Quanto maior o patrimônio do investidor, menor deve ser sua exposição ao risco doméstico. Quanto mais arriscado o portfólio doméstico do investidor, maior deve ser sua proteção em ativos internacionais. As recentes quedas do dólar são uma grande oportunidade de acelerar a dolarização de patrimônio. Atualmente o dólar encontra-se 14% acima dos R$4,75, que seria seu preço justo pela PPP, que é a comparação do câmbio versus a inflação acumulada no Brasil e EUA.

Fonte: Origami Investimentos
Conclusão
Portanto, acreditamos que o CDI permanece sendo uma ótima opção para investidores conservadores e objetivos de curto prazo. Os ativos de risco estão com uma expressiva alta em 2025, e esse movimento pode ganhar ainda impulso quando a taxa Selic começar seu movimento gradual e sustentado de queda. Dólar, ouro e bitcoin são fundamentais para qualquer investidor, dado que são a melhor forma de proteção contra riscos econômicos e políticos domésticos.




