Carta Mensal – Agosto 2026

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Resumo

As eleições brasileiras se aproximam e o mercado preditivo aponta uma chance ao redor de 65% de reeleição do atual presidente. Caso seja reeleito, é provável que o mercado cobre de Lula alguma orientação a respeito do desequilíbrio fiscal, sob risco de a inflação e o câmbio dispararem. Os juros básicos da economia brasileira permanecem elevados, tornando o carrego da renda fixa bastante atrativo – além disso, posições em títulos pré-fixados e de inflação tendem a se beneficiar do movimento de queda de juros. A bolsa brasileira caiu 20% do topo, e pode significar um bom ponto de entrada para aqueles investidores que ainda não estão suficientemente alocados nessa classe.

Sob ótica internacional, a dispersão dos retornos de nomes individuais no SP500 chama bastante atenção, com alguns nomes apresentando ótimos desempenhos ao passo que outros estão amargando grandes perdas. Existe um risco de o FED aumentar o juros nos EUA, o que deixaria a bolsa americana menos atrativa e tenderia a valorizar o dólar frente às outras moedas. China e Europa estão com crescimento fraco. Vemos boas oportunidades da renda fixa internacional e também no Bitcoin, que caiu 45% do seu topo histórico e pode ser um bom ponto de entrada para investidores mais arrojados e com maior horizonte temporal de investimentos, dispostos a segurar o ativo por alguns anos.

Cenário econômico brasileiro

A economia brasileira aponta para uma desaceleração gradual do crescimento no segundo trimestre, sem sinais de deterioração relevante no curto prazo. 

O mercado de trabalho e a renda das famílias seguem robustos, sustentando o consumo privado, embora os desafios fiscais estruturais permaneçam no foco de atenção. 

O quadro inflacionário recente mostra alívio qualitativo e leituras mais favoráveis nos núcleos de preços, com projeções para o encerramento do IPCA em 2026 situadas entre 5,0% e 5,1%. 

Em resposta à atividade mais fraca e ao recuo da inflação, a taxa Selic foi reduzida em 0,25 p.p. na última reunião do COPOM, alcançando o patamar de 14,00%, com projeções do mercado indicando que o indicador termine o ano entre 13,75% e 14,00%. 

A renda fixa local e a Bolsa brasileira mantêm uma postura de cautela, enquanto o Real tem encontrado suporte no elevado diferencial de juros frente ao exterior e na valorização do petróleo. 

Cenário econômico internacional

O cenário global é marcado por incertezas geopolíticas, sobretudo no Oriente Médio, que impulsionaram os preços do petróleo e mantiveram em alta os riscos inflacionários.

Nos Estados Unidos, a atividade econômica demonstra resiliência, impulsionada pelo dinamismo em inteligência artificial e pelo mercado de trabalho aquecido, levando o Federal Reserve a manter os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano sob comunicação cautelosa. 

Na Europa, a economia apresenta crescimento moderado e o Banco Central Europeu adota postura dependente de dados macroeconômicos, preservando a taxa de juros básica em 2,25%. 

Na China, o desempenho econômico do primeiro semestre foi fraco, estimulando a sinalização de novos estímulos fiscais por parte do governo para dar suporte ao crescimento. 

No mercado acionário internacional, os juros elevados por mais tempo têm pressionado empresas de tecnologia e crescimento, favorecendo posições mais equilibradas e setores defensivos. 

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Viés Origami

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